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Análise:

Interessantíssima tese de doutoramento de Jason T. Roche, defendida em 2008 na University of St Andrews (Escócia). A historiografia acerca da Segunda Cruzada passa, desde o início do século XXI, por um processo de revisão que vem ampliando as análises sobre o papel da expedição germânica, tradicionalmente considerada como “um deslize de Bernardo de Claraval” ou como “uma expedição secundária” perante à do rei francês Luís VII.

Particularmente, esta tese resgata a importância da expedição germânica ao oriente que, embora não pareça, teve implicações profundas para o governo durante o reinado de Frederico I Barbarossa que, como recém-empossado duque da Suábia (como Frederico III), assumiu o comando do contingente suábio da cruzada germânica e, por isso, além do parentesco (com o monarca da ocasião, seu tio, Conrado III), Frederico foi elevado ao grupo de comando que aconselhava o monarca na condução da campanha, tendo contato com os principais aristocratas germânicos do período, com exceção dos príncipes do nordeste da Germânia, envolvidos em uma cruzada simultânea contra as tribos eslavas da região do Mekclemburgo.

Na liderança da cruzada levantina estavam nada menos do que seis tios de Frederico. Pelo lado paterno, o rei Conrado III, o duque da Bavária Henrique II Jasomirgott, o bispo Otto de Freising e dois tios por matrimônio, o duque Vladislav II da Boêmia e o marquês William V de Montferrat. Pelo lado materno, o poderoso conde Welf VI de Memmingen. Além destes, estavam também presentes no grupo de comando, o margrave Hermann III de Baden, o conde Bertoldo III de Andechs, o marquês de Verona Guido de Biandrate, os bispos Estevão de Metz, Henrique de Toul e o legado papal Theodwin cardeal do Porto e Santa Rufina[1]. Outros príncipes envolvidos na cruzada foram o margrave Ottokar III da Estíria, os condes palatinos do Reno e da Bavária Hermann de Stahleck e Otto de Wittelsbach (respectivamente) e os condes Bernardo da Caríntia, Frederico de Bogen e Henrique de Ratzeburg.

É provável que a familiaridade conseguida com vários destes príncipes durante a Cruzada tenha sido determinante para a obtenção de seu consenso” [2] para as reformas internas que Frederico realizaria nos primeiros anos de seu reinado.

[1]     Todos participantes ativos do Conselho de Acre – juntamente com os príncipes franceses e os de Jerusalém – que decidiram levar a cruzada a atacar Damasco.

[2]     CARDINI, Il Barbarossa, 2000: 111.

(Trecho extraído de nossa tese de doutoramento: Honor Imperii: A legitimidade política e militar no reinado de Friedrich I Barbarossa, USP, 2011: 113)

THESIS ABSTRACT:

This thesis aims to revise the established history of the passage of the Second Crusade through the Byzantine Empire and Anatolia in 1147. In particular, it seeks to readdress the ill-fated advance of the army nominally headed by King Conrad III Staufen of Germany towards Ikonion, the fledging Seljuk capital of Rum. The work consists of four mutually supportive parts:

Part I serves to introduce the thesis, the historiographical trends of the current scholarship, and the Byzantine notion of the Latin ‘barbarian’, a stock, literary representation of the non-Greek other which distorts the Greek textual evidence.

Part II analyses the source portrayal of particular incidents as the army marched through the Byzantine Empire, provides analyses of those events based on new approaches to interpreting the sources and a consideration of the army’s logistical arrangements, and argues that the traditional historiography has been and continues to be subject to textual misrepresentation.

An understanding of the topology of Anatolia is required to appreciate why the army failed to reach Ikonion. Part III therefore consists of chapters devoted to the geography of Anatolia, the form, function and the population density of the typical twelfth-century town, the country’s changeable medieval geopolitical landscape, and the settlement patterns and the way of life of western Anatolia’s pastoral-nomadic warriors.

Part IV revisits the Latin, Syriac and Greek sources which constitute the written history of the crusade in Anatolia, analyses the concerns of the army’s executive decision makers within geopolitical, logistical, topographical and tactical frameworks, and offers a reconsideration of the established location of where the army ceased to advance on Ikonion, and a new version of the circumstances which led to the decision to retreat.

http://www.medievalists.net/2010/04/23/conrad-iii-and-the-second-crusade-in-the-byzantine-empire-and-anatolia-1147/