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Recently, Robin LaFevers published on Huffingtonpost.com a text that lists what she considers to be the nine most important medieval murders.

They are:

9. The assassination of John II (the Fearless), Duke of Burgundy in 1419, due to the fact it took John’s successor, Felipe, to ally itself to England, with disastrous consequences for France during the Hundred Years War.

8. The murder of Louis I, Duke of Orleans in 1407. Committed by minions of John the Fearless, leading to a deadly fracture of French nobility in this phase of the Hundred Years War.

7. The murder of Blanche de Bourbon in 1361. Allowed the rise of Henry of Trastámara in Castile, one of the acts that featured king Peter of Castile as “the Cruel”.

6. The possible murder of Pope Benedict XI in 1304, allowing the transfer of the papacy from Rome to Avignon.

5. The murder of Thomas Becket in 1170, which put into question the attempt of Henry II control the English clergy.

4. The probable murder of Rufus King William II of England in 1100.

3. The poisoning of Constance of Normandy in 1090 by her husband, Alan IV, Duke of Brittany. Extended the enmity between the ducal lineages of Normandy and Brittany.

2. The poisoning of Conan II, Duke of Brittany in 1066. Attributed to William the Conqueror.

1. The poisoning of Alan III, Duke of Brittany in 1040. Attributed to William the Conqueror.

Considering that the author used mostly cases arising from Anglo-French sphere, it is very difficult to establish such examples as the “most important” of the thousand years that comprise the Middle Ages.

We chose just one other example: the murder of the german king Phillip of Swabia in 1208 by the bavarian Palatine count Otto von Wittelsbach.

Otto, already known for his unstable character, fell into a rage when he learned of the dissolution of his betrothal to Gertrude of Silesia by her father, Duke Henry I of Lower Silesia. Henry was apparently informed of the Wittelsbach’s cruel tendencies and in an act of concern for his young daughter decided to terminate the marriage agreement. Otto proceeded to blame Philip, without grounds, for another spurned marriage alliance (the first being to Philip’s own daughter, Beatrice) and swore revenge on the German King, culminating in the murder at Bamberg on 21 June 1208.

That single act of spurious violence changed everything in the medieval Imperial Germany! Philip was the fifth child of Frederick Barbarossa and was destined for clerical career, having come to be bishop-elect of Würzburg, before returning to the laity after the deaths of the Emperor and his second eldest son, Frederick V, Duke of Swabia, during the Third Crusade.

Philip had an outstanding performance as one of the trusted men of his brother, the Emperor Henry VI, having reached important positions as Margrave of Tuscany (1195-1197) and Duke of Swabia, the main apanage of the Hohenstaufen dynasty (1196-1208) before to be crowned King of Germany (1198-1208) in the minority of his nephew Frederick II.

Philip faced opposition from northern nobility that elected as anti-king Otto of Brunswick of the House of Welf, with varied fortune. However, in the last two years of his life, he was about to delete this traditional trouble spot for the Hohenstaufen dynasty and consolidate their hold on the Germany in spectacular way. Moreover, due to his marriage to Irene Angelina (from the Byzantine dynasty of Angeloi), possibly had interests in diverting the Crusade led by his cousin Boniface of Montferrat to Constantinople.Henry VI had already made ​​plans for the conquest of Byzantium and reunite the Roman Empire, a train of thought that appealed to Philip.

Moreover, his murder legitimized Otto IV on the German throne until it was defeated by Philip II of France in Bouvines (1214), which allowed the rise of  Frederick II to the German throne, besides his Sicilian heritage, against the plans of Pope Innocent III.

That is, this murder has renewed civil war between Hohenstaufens and Welfs in Germany, discomfited further relations between the Germanic monarchs and the Papacy regarding the Sicilian kingdom and prevented that there was some sort of imperial reunification between East and West.

It was one really important murder for Medieval History. Just not in the Anglo-French Medieval History chosen by the author.

 

Philip of Swabia depicted in a medieval manuscript (about 1200)

Recentemente, Robin LaFevers publicou no Huffingtonpost.com um texto no qual elenca o que considera ser os nove mais importantes assassinatos medievais.

São eles:

9. O assassinato de João II (Sem Medo), duque da Borgonha em 1419, devido ao fato de ter levado o sucessor de João, Felipe, a aliar-se à Inglaterra, com consequências desastrosas para a França durante a Guerra dos Cem Anos.

8. O assassinato de Luís I, duque de Orleans em 1407. Cometido por asseclas de João Sem Medo, levando à uma fratura mortal a nobreza francesa nesta fase da Guerra dos Cem Anos.

7. O assassinato de Blanche de Bourbon em 1361. Permitiu a ascensão de Henrique de Trastámara em Castela, sendo um dos atos que caracterizou Pedro de Castela como “o Cruel”.

6. O possível assassinato do papa Bento XI em 1304, permitindo a transferência do Papado de Roma para Avignon.

5. O assassinato de Thomas Becket em 1170, que pôs em xeque a tentativa de Henrique II controlar o clero inglês.

4. O provável assassinato do rei Guilherme II Rufus da Inglaterra em 1100.

3. O envenenamento de Constance da Normandia em 1090 por seu marido, Alan IV, duque da Bretanha. Prorrogou a inimizade entre as famílias ducais da Normandia e da Bretanha.

2. O envenenamento de Conan II, duque da Bretanha em 1066. Atribuído a Guilherme o Conquistador.

1. O envenenamento de Alan III, duque da Bretanha em 1040. Atribuído a Guilherme o Conquistador.

Levando em consideração que a autora utilizou majoritariamente casos advindos da esfera anglo-francesa, fica muito difícil estabelecer estes exemplos como os “mais importantes” dos mil anos que compreendem a Idade Média.

Escolhemos apenas um exemplo: o assassinato do rei germânico Felipe da Suábia em 1208 pelo conde Palatino bávaro Otto von Wittelsbach. Otto, que era conhecido por seu caráter instável, enraiveceu-se quando soube da dissolução de seu noivado com Gertrude da Silésia pelo pai desta, o duque Henrique I da Baixa Silésia. Henrique foi aparentemente informado das tendências cruéis do Wittelsbach e em um ato de preocupação com a sua filha mais nova, decidiu rescindir o contrato de casamento. Otto passou a culpar Felipe, sem fundamentos, devido a outra aliança de casamento em que havia sido rejeitado (a primeira foi com a própria filha de Filipe, Beatriz) e jurou vingança ao monarca, o que culminou com o assassinato deste em Bamberg a 21 de junho de 1208.

Este ato singular de espúria violência transformou tudo na Germânia Imperial Medieval!
Felipe era o quinto filho de Frederico Barbarossa e havia sido destinado à carreira clerical, tendo chegado a ser bispo-eleito de Würzburg, antes de retornar ao laicado após as mortes do imperador e do seu segundo filho mais velho, Frederico V, duque da Suábia, durante a Terceira Cruzada.

Felipe teve destacada atuação como um dos homens de confiança de seu irmão, o imperador Henrique VI, tendo alcançado postos importantes como Margrave da Toscana (1195-1197) e Duque da Suábia, o principal apanágio da dinastia Hohenstaufen (1196-1208) antes de ser coroado como Rei da Germânia (1198-1208) na minoridade de seu sobrinho Frederico II.

Felipe enfrentou a oposição da nobreza setentrional que elegeu como anti-rei a Otto de Brunswick da Casa dos Welf, com variada fortuna. Contudo, em seus últimos dois anos, esteve prestes a eliminar este tradicional foco de problemas para a dinastia Hohenstaufen e consolidar seu domínio sobre a Germânia de modo espetacular. Por outro lado, devido a seu casamento com Irene Angelina (da dinastia bizantina dos Angeloi), possivelmente tinha interesses em desviar a Cruzada liderada por seu primo, Bonifácio de Montferrat, para Constantinopla. Henrique VI já havia apresentado planos para a conquista de Bizâncio e reunificar o Império Romano, linha de pensamento que agradava a Felipe.

Por outro lado, seu assassinato legitimou Otto IV no trono germânico até este ser derrotado por Felipe II da França em Bouvines (1214), que permitiu a ascensão de Frederico II ao trono germânico, além do siciliano, contra os planos do Papa Inocêncio III.

Ou seja, este homicídio renovou a guerra civil entre Hohenstaufens e Welfs na Germânia, conturbou ainda mais as relações entre os monarcas germânicos e o Papado acerca dos domínios sicilianos e impediu que houvesse alguma espécie de reunificação imperial entre Ocidente e Oriente.

Ou seja, um assassinato dos mais significativos para a História Medieval. Só que não no mundo anglo-francês escolhido pela autora.

http://www.huffingtonpost.com/robin-lafevers/9-goriest-medieval-assass_b_1403846.html