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“Die Deutschen” (Os Alemães) é uma série de documentários televisivos alemães produzida para o canal ZDF que foi ao ar pela primeira vez entre Outubro e Novembro de 2008. Cada episódio reconta uma época selecionada da História Alemã, começando (na primeira temporada) com o reinado de Otto I o Grande e terminando com o colapso do Império Alemão ao final da Primeira Guerra Mundial. Em Novembro de 2010 a segunda temporada de “Die Deutschen” foi ao ar na televisão alemã, iniciando com Carlos Magno e concluindo com Gustav Stresemann, Chanceler e Ministro do Exterior durante a República de Weimar.

A série é bem fundamentada, contando com a colaboração de alguns dos principais medievalistas alemães (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil e Gerd Althoff) validando o bom trabalho cinematográfico. Contudo, os episódios estão disponíveis APENAS EM ALEMÃO.

Com “Karl der Große und die Sachsen”, teve início a segunda temporada de “Die Deutschen”.

O ponto focal do episódio está nas Guerras Saxônicas promovidas por Carlos Magno por mais de trinta anos. Neste sentido, a ação começa na Saxônia em 772, com a destruição do Irminsul (pilar sagrado da fé pagã dos saxônios) por parte das tropas Carolíngias.

Fica imediatamente clara a questão do binômio conquista militar/cristianização das populações conquistadas. O documentário conecta a revolta saxônia liderada por Widukind, com os dois aspectos: contra o domínio Franco e contra a imposição do Cristianismo.

A resposta dos Francos veio em campanhas devastadoras entre 775 e 776 que levaram os Saxônios à capitulação, mas nova revolta eclodiu em 778, sempre se aproveitando das ausências de Carlos Magno e seus exércitos em outras campanhas (como na Itália e na Catalunha).

Finalmente em 785 Widukind capitulou e, em uma cerimônia ocorrida em Attigny, o vestfálio recebeu o batismo tendo Carlos Magno como padrinho. Mas isso não concluiu com o ciclo de revoltas contra os Francos. Só em 804 a Saxônia foi efetivamente pacificada.

Outro destaque, em relação ao Cristianismo imposto aos Saxônios, está na representação do Pai Nosso, na versão em Saxão Antigo apresentada no Heliand, a reconstrução do Evangelho diatasserônico em vernáculo durante o século IX:

Fadar ûsa firiho barno, thu bist an them hôhon himila rîkea,
geuuîhid sî thîn namo uuordo gehuuilico.
Cuma thîn craftag rîki.
Uuerða thîn uuilleo obar thesa uuerold alla,
sô sama an erðo, sô thar uppa ist
an them hôhon himilo rîkea.
Gef ûs dago gehuuilikes râd, drohtin the gôdo,
thîna hêlaga helpa, endi alât ûs, hebenes uuard,
managoro mênsculdio, al sô uue ôðrum mannum dôan.
Ne lât ûs farlêdean lêða uuihti
sô forð an iro uuilleon, sô uui uuirðige sind, ac help ûs uuiðar allun ubilon dâdiun.

Pai de todos nós, filhos dos homens,
Estás no poderoso reino celeste,
Bendito seja teu nome em cada palavra.
Que venha o teu poderoso reino.
Seja feita a sua vontade em todo o mundo – assim na terra como no alto em seu poderoso reino celeste.
Dê-nos sustento a cada dia, bom senhor,
Sua santa ajuda e perdoe-nos, Protetor do Paraíso,
De nossos muitos crimes, como nós perdoamos a outros homens.
Não deixe que as pequenas criaturas malignas nos levem a fazer sua vontade, como merecemos,
Mas ajude-nos contra todos os feitos maléficos.
(MURPHY, 1992: vv. 1600-1612, nossa tradução, publicada em: Judas Macabeu: de herói do Velho Testamento a herói da cavalaria medieval, Mirabilia, v. 8, p. 108-129, 2008).

 

 

“Die Deutschen” (“The Germans”) is a German television documentary produced for ZDF that first aired from October to November 2008. Each episode recounts a selected epoch of German History, beginning (first season) with the reign of Otto the Great and ending with the collapse of the German Empire at the end of the First World War. In November 2010 the second season of “Die Deutschen” was published in German television, beginning with Charlemagne and ending with Gustav Stresemann,  the Chancellor and Foreign Minister during the Weimar Republic.

The series was well fundamented with the collaboration of top german medievalists (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil and Gerd Althoff) backing the good cinematography work. Alas, the episodes are disponible ONLY IN GERMAN.

With “Karl der Große und die Sachsen,” began the second season of “Die Deutschen”.

The focal point of the episode is the Saxon Wars Charlemagne waged for over thirty years. In this sense, the action begins in Saxony on 772, with the destruction of Irminsul (sacred pillar of the Saxons pagan faith) by Carolingian troops.

It becomes immediately clear the issue of binomial military conquest / Christianization of conquered populations. The documentary connects the Saxon revolt led by Widukind with two aspects: against the Frankish domain and the imposition of Christianity.

The response of the Franks came in devastating campaigns between 775 and 776 that led the Saxons to capitulation, but a new revolt broke out in 778, always taking advantage of the absence of Charlemagne and his armies in other campaigns (as in Italy and Catalonia).

Finally in 785 Widukind capitulated and, in a ceremony held in Attigny the westfalian received baptism and Charlemagne as godfather. But that did not complete the cycle of revolts against the Franks. Only in 804 Saxony was effectively pacified.

Another highlight in relation to the imposition of  Christianity to the Saxons, is the representation of the Lord´s Prayer, in the version presented on the Old Saxon Heliand, a reconstruction of the diatasseronic Gospel in vernacular during the ninth century:

Fadar ûsa firiho barno, thu bist an them hôhon himila rîkea,
geuuîhid sî thîn namo uuordo gehuuilico.
Cuma thîn craftag rîki.
Uuerða thîn uuilleo obar thesa uuerold alla,
sô sama an erðo, sô thar uppa ist
an them hôhon himilo rîkea.
Gef ûs dago gehuuilikes râd, drohtin the gôdo,
thîna hêlaga helpa, endi alât ûs, hebenes uuard,
managoro mênsculdio, al sô uue ôðrum mannum dôan.
Ne lât ûs farlêdean lêða uuihti
sô forð an iro uuilleon, sô uui uuirðige sind, ac help ûs uuiðar allun ubilon dâdiun.

Father of us, the sons of men,
You are in the high heavenly kingdom,
Blessed be Your name in every word.
May Your mighty kingdom come.
May Your will be done over all this world–
just the same on earth as it is up there
in the high heavenly kingdom.
Give us support each day, good Chieftain,
Your holy help, and pardon us, Protector of Heaven,
our many crimes, just as we do to other human beings.
Do not let evil little creatures lead us off
to do their will, as we deserve,
but help us against all evil deeds.
(MURPHY, 1992: vv. 1600-1612).