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“Die Deutschen” (Os Alemães) é uma série de documentários televisivos alemães produzida para o canal ZDF que foi ao ar pela primeira vez entre Outubro e Novembro de 2008. Cada episódio reconta uma época selecionada da História Alemã, começando (na primeira temporada) com o reinado de Otto I o Grande e terminando com o colapso do Império Alemão ao final da Primeira Guerra Mundial. Em Novembro de 2010 a segunda temporada de “Die Deutschen” foi ao ar na televisão alemã, iniciando com Carlos Magno e concluindo com Gustav Stresemann, Chanceler e Ministro do Exterior durante a República de Weimar.

A série é bem fundamentada, contando com a colaboração de alguns dos principais medievalistas alemães (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil e Gerd Althoff) validando o bom trabalho cinematográfico. Contudo, os episódios estão disponíveis APENAS EM ALEMÃO.

A segunda temporada prossegue com o episódio “Friedrich II. und der Kreuzzug” (Frederico II e a Cruzada).

Frederico II é uma das personalidades mais fascinantes da Idade Média: Imperador Germânico por parte de pai, descendendo do grande Frederico Barbarossa; Rei Siciliano por parte de mãe, descendendo do grande Roger II. Poliglota pela criação na corte trilíngue de Palermo; poeta, jurista, ornitólogo e entusiasta das Ciências Naturais por inclinação própria.

Os julgamentos históricos acerca de Frederico Roger são variadíssimos: um pioneiro do Absolutismo monárquico (J. Burckhardt)? Um “sultão batizado” (E. Kantorowicz)? Um homem relativamente à frente de seu tempo, porém ainda um imperador medieval (D. Abulafia)? É difícil ajustá-lo nas categorias analíticas disponíveis. Contudo, sem dúvidas foi uma personalidade intrigante, criativa e diferenciada de seus contemporâneos, como, por exemplo, São Luís, Rei de França.

Ambos são vistos principalmente em seus papéis jurídicos e como cruzados. Dificilmente poderiam ser mais diferentes. São Luís, miticamente sentado à sombra de uma árvore, realizando julgamentos sobre todos os assuntos, centralizando a Justiça nas mãos do Rei. Frederico II, construindo um novo código legal para o reino Siciliano, as Constituições de Melfi (ou Liber Augustalis) que combinavam as leis ainda úteis de seus predecessores normandos às suas próprias soluções jurídicas (influenciadas pelo Direito Romano e pelo Direito Costumário Germânico), aplicando-as através de um compacto sistema judicial controlado pela Coroa.

Se os resultados de ambos foram semelhantes (a centralização da Justiça nas mãos do monarca), como cruzados a diferença se torna irreconciliável: São Luís incorporou em suas duas campanhas o poderoso zelo dos primeiros cruzados à impetuosidade de um Ricardo Coração-de-Leão. Contudo, suas expedições (no Norte da África) não resultaram em avanços para a causa cristã. Por outro lado, Frederico II, duas vezes comprometido a partir para o Oriente, falhou na primeira vez (o que veio a ser a Quinta Cruzada e primeira contra o Egito) e partiu tardiamente para a segunda tentativa, já excomungado.

File:Al-Kamil Muhammad al-Malik and Frederick II Holy Roman Emperor.jpg

Este monarca excomungado dirigiu-se novamente ao Egito. No Cairo, negociou diretamente com o sultão al-Kamil em árabe (aprendido em Palermo), e reconquistou, sem derramar sangue, Jerusalém para a Cristandade. Após lá chegar, coroou-se Rei de Jerusalém (devido a seu casamento com Isabella de Brienne, herdeira do reino). Uma vitória extraordinária alcançada de maneira incompreensível para seus contemporâneos, a ponto do papa reinante ter declarado uma cruzada contra Frederico II. Este momento fascinante das relações entre Ocidente e Oriente são o foco do episódio.

 

 

“Die Deutschen” (“The Germans”) is a German television documentary produced for ZDF that first aired from October to November 2008. Each episode recounts a selected epoch of German History, beginning (first season) with the reign of Otto the Great and ending with the collapse of the German Empire at the end of the First World War. In November 2010 the second season of “Die Deutschen” was published in German television, beginning with Charlemagne and ending with Gustav Stresemann, the Chancellor and Foreign Minister during the Weimar Republic.

The series was well fundamented with the collaboration of top german medievalists (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil and Gerd Althoff) backing the good cinematography work. Alas, the episodes are disponible ONLY IN GERMAN.

The second season continues with the episode “Friedrich II. und der Kreuzzug” (Frederick II and the Crusade).

Frederick II is one of the most fascinating personalities of the Middle Ages: German Emperor by his father, descended from the great Frederick Barbarossa, Sicilian King by his mother, descending from the great Roger II. Polyglot by creation in the trilingual court of Palermo; poet, jurist, ornithologist and enthusiast for Natural Sciences by his own inclination.
The historical judgments about Frederick Roger are numerous and different: a pioneer of monarchical absolutism (J. Burckhardt)? A “baptized sultan” (E. Kantorowicz)? A man relatively ahead of his time, but still a medieval emperor (D. Abulafia)? It’s hard to fit him in the available analytical categories.

However, doubtless was one intriguing personality, creative and differentiated from his contemporaries, for example, St. Louis, King of France.

Both are seen primarily in their roles as Justice bearers and Crusaders. They could hardly be more different. St. Louis, mythically sitting in the shade of a tree, making judgments about all things, centralizing Justice in the hands of the King. Frederick II, build a new legal code for the Sicilian kingdom, the Constitutions of Melfi (or Liber Augustalis) that combined the still useful laws of their Norman predecessors to their own legal solutions (influenced by Roman law and by Germanic customary law), applying them through a compact judicial system controlled by the Crown.

If the results of both were similar (centralization of justice in the hands of the monarch) as Crusaders their diferences becomes irreconcilable: St. Louis incorporated in his two campaigns the powerful zeal of the early crusaders with the impetuosity of a Richard Coeur-de-Lion. However, his expeditions (in North Africa) did not result in improvements to the Christian cause. On the other hand, Frederick II, twice committed to the East, failed the first time (which became the Fifth Crusade and first against Egypt) and later left for the second attempt, already excommunicated.

This excommunicated monarch went back to Egypt. In Cairo, he negotiated directly with Sultan al-Kamil in Arabic (learned in Palermo), and regained Jerusalem for Christianity without bloodshed. After arriving there, he crowned himself King of Jerusalem (due to his marriage to Isabella of Brienne, heir to the kingdom). That extraordinary victory was achieved incomprehensibly to his contemporaries: the reigning pope even declared a crusade against Frederick II. This fascinating moment in relations between the West and East are the focus of the episode.

As a bonus we added another documentary about Frederick II.

Frederick II a bridge between East and West