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“Die Deutschen” (Os Alemães) é uma série de documentários televisivos alemães produzida para o canal ZDF que foi ao ar pela primeira vez entre Outubro e Novembro de 2008. Cada episódio reconta uma época selecionada da História Alemã, começando (na primeira temporada) com o reinado de Otto I o Grande e terminando com o colapso do Império Alemão ao final da Primeira Guerra Mundial. Em Novembro de 2010 a segunda temporada de “Die Deutschen” foi ao ar na televisão alemã, iniciando com Carlos Magno e concluindo com Gustav Stresemann, Chanceler e Ministro do Exterior durante a República de Weimar.

A série é bem fundamentada, contando com a colaboração de alguns dos principais medievalistas alemães (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil e Gerd Althoff) validando o bom trabalho cinematográfico. Contudo, os episódios estão disponíveis APENAS EM ALEMÃO.

Com “Karl IV. und der Schwarze Tod” (Carlos IV e a Morte Negra), chegamos ao último episódio medieval da série.

O Sacro Imperador Romano Carlos IV (Carlos de Luxemburgo) governou o império durante a fase inicial da eclosão de peste negra em duas epidemias sucessivas. Ele nasceu em Praga, em 14 maio de 1316, filho de João de Luxemburgo e Elizabeth da Boêmia. Batizado Venceslau, aos sete anos, ele foi enviado a Paris para ser criado na corte do Rei Carlos IV, e adotou o nome deste monarca, quando de sua confirmação na Igreja. Enquanto esteve em Paris foi profundamente afetado pela pregação de Pierre Roger, que depois tornar-se-ia o Papa Clemente VI, regente da Igreja durante a Peste Negra de 1347-1352.

O jovem Carlos também estudou brevemente na Universidade de Paris, onde passou a valorizar a educação formal, e, talvez, especificamente a Astrologia. Em sua adolescência, administrou o reino de Boêmia a partir de Praga, e quando seu pai ficou cego (em 1340), ele administrou as posses da família em Luxemburgo. O imperador, Luís da Baviera, há muito tempo lutava com o Papado e irritou muitos dos Príncipes alemães, tanto que em 1344 Luís foi excomungado pelo Papa e este decretou que destronado se não fosse perdoado dentro de dois anos… Dois anos mais tarde Luís foi deposto e Carlos eleito como rei dos romanos em Bonn, o último passo em direção ao trono imperial. Sua amizade desde o início com o papa certamente ajudou nestes assuntos. Um ano depois ele foi coroado rei da Boêmia (após a morte de seu pai na Batalha de Crécy), e em 1355, coroado imperador em Roma.

A peste negra chegou pela primeira vez em territórios imperiais quando atingiu o norte da Itália, mas Carlos não fez nada para intervir nesta região auto-suficiente. De fato, na maior parte dos casos ele pouco podia fazer fora de suas próprias terras ancestrais e, com respeito a estas, ele pouco fez. Seguiu o Papa na denúncia da perseguição aos judeus como “espalhadores da Peste”, mas este ato moral foi maculado, já que ofereceu ao arcebispo de Trier os bens e propriedades de todos os judeus da Alsácia que haviam sido mortos ou que o fossem no futuro.

Isso pode ter sido uma manobra política desavergonhada para bajular um dos príncipes-eleitores do Império mas, certamente, não deu ao prelado nenhum incentivo para conter a violência. Por outro lado, esta manobra pode ter sido destinada a impedir os assassinatos e saques por parte de multidões de leigos, que agora não podiam mais legalmente se beneficiar com roubos do que agora pertencia à Igreja. De Carlos também se diz que teria prometido ao Margrave de Brandenburg três das melhores casas judaicas esvaziadas em Nuremberg no pogrom seguinte. Este príncipe era também um dos eleitores, e não há nenhuma maneira de preservar a integridade de Carlos neste episódio. Carlos também ecoou o papa ao falar contra os Flagelantes, mas teve papel pequeno em seu eventual desaparecimento.

File:Blackdeath2.gif

(Animated gif by Wikipedia)

Antes da Peste Negra Carlos estabeleceu a universidade em Praga (Bula papal de janeiro de 1347; diploma imperial de abril de 1348), a primeira universidade da Europa Central. Seus modelos foram os de Paris e Bolonha, os centros europeus para o estudo da Teologia e do Direito, respectivamente. A amplitude de seus interesses intelectuais era rara para a época, e aqueles interesses foram, sem dúvidas, por sua vez, estimulados em Paris. Ao longo das três décadas que se seguiram à primeira epidemia, Carlos gastou prodigamente em projetos imperiais de construção em Praga, a nova capital do Império. Ele foi também firme em seu apoio a intelectuais e escritores em sua corte, como o poeta Heinrich von Mügeln. O poema de Heinrich, “Quem quiser saber “, é uma explicação das origens da Peste em termos astrológicos e estava firmemente em linha com os interesses de Carlos.

O fato de que foi escrito em alemão também reflete a preocupação de Carlos para as línguas vernáculas de seu Império, especialmente o tcheco e o alemão. Entre seus muitos outros projetos, ordenou a tradução do Compêndio sobre a Peste da Universidade de Paris para circulação.

Grande parte das atividades posteriores em seu reinado foram realizadas tendo em vista a consolidação de sua dinastia. Ele se casou quatro vezes, absorvendo novos territórios em cada união. Após retornar de sua coroação imperial, emitiu o édito conhecido como a Bula de Ouro em 1356, um documento constitucional chave que tornou responsáveis pela eleição do Rei dos Romanos (e por conseguinte do Imperador) apenas sete dos principais nobres do império – incluindo o margrave de Brandemburgo e o arcebispo de Trier – e removeu qualquer papel do papa no processo.

Ele morreu em Praga, em 29 de novembro de 1378.

Ao final da página, recomendamos dois títulos com recentes discussões acerca da natureza da Peste na Idade Média:

BENEDICTOW, Ole J. What Disease was Plague? – On the Controversy over the Microbiological Identity of Plague Epidemics of the Past, Leiden: BRILL, 2010.

EASTMAN, James T. “The Making of a Pandemic: Bubonic Plague in the 14th Century”, The Journal of Lancaster General Hospital, Vol.4:1, 2009.

E um documentário do Discovery Civilisation sobre a Peste: The Mystery of The Black Death

“Die Deutschen” (“The Germans”) is a German television documentary produced for ZDF that first aired from October to November 2008. Each episode recounts a selected epoch of German History, beginning (first season) with the reign of Otto the Great and ending with the collapse of the German Empire at the end of the First World War. In November 2010 the second season of “Die Deutschen” was published in German television, beginning with Charlemagne and ending with Gustav Stresemann,  the Chancellor and Foreign Minister during the Weimar Republic.

The series was well fundamented with the collaboration of top german medievalists (Stefan Weinfurter, Bernd Schneidmüller, Joachim Ehlers, Wolfgang Muchitsch, Matthias Becher, Olaf Rader, Franz Joseph Felten, Johannes Heil and Gerd Althoff) backing the good cinematography work. Alas, the episodes are disponible ONLY IN GERMAN.

With “Karl IV. und der Schwarze Tod” (Charles IV and the Black Death), we come to the last medieval episode of the series.

The Holy Roman Emperor Charles IV ruled the empire during the initial outbreak of the Black Death and two successive epidemics. He was born in Prague on May 14, 1316, the son of John of Luxembourg and Elizabeth of Bohemia. Baptized Wenceslas, at age seven he was sent to Paris to be raised at the court of King Charles IV, and took this monarch’s name when he was confirmed in the Church. While in Paris he was deeply affected by the preaching of Pierre Roger, who would go on to become Pope Clement VI, ruler of the Church during the Black Death of 1347–52.

Young Charles also studied briefly at the University of Paris, where he gained an appreciation of formal education, and perhaps astrology specifically. In his late teens he administered the kingdom of Bohemia from Prague, and when his father went blind, in 1340, he managed the family’s Luxembourg holdings. The emperor, Louis the Bavarian, had long fought with the papacy and angered many of the German princes. In 1344 Louis was excommunicated by the pope and told he would be dethroned if not cleared within two years. Two years later Louis was deposed and Charles elected as king of the Romans in Bonn, the last step toward the imperial throne. His early friendship with the pope certainly helped matters. A year after that he was crowned king of Bohemia after his father’s death at the Battle of Crécy, and in 1355 as emperor, in Rome.

The Black Death first arrived in imperial territories when it struck northern Italy, but Charles did nothing to intervene in this self-sufficient land. For the most part, he could do little outside his own ancestral lands, and with regard to these, he did little. He followed the pope in decrying the persecution of Jews as “Plague-spreaders,” but tarnished this moral act by offering to the archbishop of Trier the goods and property
of all Jews in Alsace that were killed or to be killed in future. This may have been a baldly political ploy to curry favor with one of the empire’s electors, and it certainly gave the churchman no incentive to stem the
violence. On the other hand, this may have been meant to deter the murders and looting by the mobs of lay people, who could not legally benefit from robbing that which now belonged to the Church. Charles is also said to have promised the margrave of Brandenburg the three best Jewish houses emptied in the next pogrom in Nuremberg. This gentleman was also one of the electors, and there is no way to preserve Charles’ integrity in this instance. Charles also echoed the pope in speaking out against the flagellants, but he played little role in their eventual disappearance.

Before the Black Death Charles established the university in Prague (papal bull of January 1347; imperial charter of April 1348), central Europe’s first university. Its dual models were those of Paris and Bologna, Europe’s centers for the study of theology and law, respectively. The breadth of his intellectual interests was rare for the time, and those interests were no doubt fostered by his time in Paris. Over the three decades that followed the initial epidemic Charles spent lavishly on imperial building projects in Prague, the empire’s new capital. He was also firm in his support for intellectuals and writers, such as the poet Heinrich von Mügeln, at his court. Heinrich’s poem, “Whoever wants to know”, is an explanation of the origins of the Plague in astrological terms, and was firmly in line with Charles’ interests. The fact that it was written in German also reflects Charles’ concern for his empire’s vernacular languages, especially Czech and German. Among many other projects, he had the University of Paris’ Compendium on the Plague
translated for circulation.

Much of his activity later in his reign concerned the consolidation of his dynasty. He married four times, absorbing new territories with each union. After returning from his coronation he issued the edict known as the Golden Bull in 1356, a key constitutional document that made only seven of the empire’s chief nobles—including the margrave of Brandenburg and archbishop of Trier—responsible for electing the king of the Romans and removed any role for the pope in the process.

He died in Prague on November 29, 1378.

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Charles IV’s Golden Bull of 1356

Recent discussions about the Plague:

BENEDICTOW, Ole J. What Disease was Plague? – On the Controversy over the Microbiological Identity of Plague Epidemics of the Past, Leiden: BRILL, 2010.

http://www.scribd.com/doc/124731650/What-Disease-Was-Plague

EASTMAN, James T. “The Making of a Pandemic: Bubonic Plague in the 14th Century”, The Journal of Lancaster General Hospital, Vol.4:1, 2009.

http://www.medievalists.net/2010/09/26/the-making-of-a-pandemic-bubonic-plague-in-the-14th-century/

The Mystery of the Black Death: